domingo, 28 de novembro de 2010

A importância de deixar ir...


Ontem fiz um bazar e vendi todas as minhas coisas.
Roupas, livros, todos os objetos pessoais... presentes carinhosos, declarações de amor, ah esse aqui eu gosto tanto!, vai também... e assim, a cada amigo que vinha, iam-se pedaços de memórias.
Na mesa ainda restam alguns livros, uns poucos LPs, 4 ou 5 camisas na arara de metal, muitos postais e cartas de amor (essas ninguém compra, aprendi). Um enorme vazio toma o meu quarto.
Nada nas prateleiras, um guarda-roupa quase vazio, nenhum quadro nas paredes.
Quantos um-dia-eu-posso-precisar estavam ali há anos esperando, quantos objetos que nunca me serviriam, livros que nunca foram lidos, quantos relidos, entre as minhas tralhas preferidas.
Todas em sacolas, saíram rumo a novos endereços, talvez presentes de Natal, talvez ainda tralhas numa nova estante... mas isso não me diz mais respeito.
Um presente de Natal foi o que ganhei... O de perceber que preciso de muito menos do que imagino, e que nada me falta. Já tenho tudo e tenho muito, muito a dar...

domingo, 21 de novembro de 2010

A Disciplina e a Devoção


 Esse ano tivemos como tema a Disciplina e a Devoção... duas palavras doces, de um significado profundo e santo, que só podem ser acessadas com o coração.
Nosso primeiro contato com a disciplina geralmente é na escola, onde um inspetor analisa se o uniforme está impecável, se estamos nos portando na sala de aula e se fazemos alguma danação... pode apostar que ele vai ligar pros seus pais! Dificilmente escapamos ilesos sem uma punição e assim vão nos educando, na base do castigo e do medo de ser punido. A devoção vem um pouco depois, quando vivemos numa cidade religiosa ou vemos na televisão aquelas procissões lotadas de devotos de algum santo... e aprendemos que devoção é ir pra igreja, fazer promessas e pagá-las...
Agora que encontramos nossa senda, a Mística Andina, aprendemos a esvaziar o copo, nada mais sabemos e recém começamos a reaprender valores, aflorar emoções, desabrochar como seres humanos. Nos falam de disciplina e devoção e vamos estudar adentro, investigar no escuro do ser o que é ser disciplinado e devoto - vamos percebendo a beleza e a nobreza que existe nessas virtudes que fazem de uma mulher uma shakti, de um homem, um guerreiro.
Ser disciplinado é saber zelar pela nossa vida, estabelecendo um ritmo de práticas que vai sustentar a nossa transformação pessoal, é o combustível necessário para avançarmos com firmeza no nosso propósito de sermos melhores. Acordar um pouco mais cedo, meditar, fazer a kryia, irradiar ao meio dia, fazer o bem sempre, participar e nunca ser agressivo e pronto, entramos no fluxo da vida e passamos a intuir, compreender a lei do ayni, que é a dança da vida. Entendemos que somos folhas de uma grande árvore e que é necessário deixar cair e nutrir o solo, as raízes, cumprir com o nosso papel com nobreza e alegria... o mesmo fazem as raízes, levam a seiva até os galhos e as folhas se renovam, em novos seres! Tudo na natureza funciona sob essa lei... Compreendê-la alimenta a consciência, gera gratidão, abundância, bem-estar, energia para servir a vida com amor, e nos inspira a ter disciplina. Deixamos de ser flácidos e auto-piedosos para tomarmos uma posição ativa e livre, pois escolhemos desde a alma.
Ser devoto é saber-se uma fonte de amor... e também saber que nada sabe. Estejamos conscientes que nossa alma está limitada pelo nosso corpo físico e aprisionada pelas limitações mentais, os desejos, o medo, a preguiça... essas egrégoras nos distanciam do nosso mestre interno e fechamos os ouvidos ao Mestre Lucidor. Ele é uma fonte de amro consciente, um farol de luz que nos aponta o melhor em nós. Um professor, um amigo, às vezes um pai e sempre, incansavelmente, nosso mestre. A devoção acontece quando não resistimos ao ensinamento, quando somos sensíveis ao esforço dele e dos nossos companheiros de senda e largamos de ser egocêntricos e deixamos de lado a ânsia de ter razão e controlar o fluxo. Devoção é a expressão do amor mais nobre e puro, o amor que une discípulo e mestre... o amor dos apóstolos por Jesus Cristo... o amor entre Francisco e os passarinhos... o amor entre os unicórnios azuis...
Desejo a vocês fluidez e amorosidade, queridos irmãos. Que tenhamos a sabedoria de dar um passo adiante, de sermos mais sutis e inocentes e assim elevarmos a nossa família a uma nova dimensão de amor e ação, em disciplina e devoção.

Com muito amor,

Cristiano

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Encontro das Águas - Curitiba

O Arcanjo Gabriel anuncia...
O Encontro das Águas!
Adhiel, Kephriel e Ahadriel se reúnem...
As ondinas dançam em êxtase...
Necksa abre o portal do Oeste...
e o nosso cálice transborda!!!


Ouçam o chamado no bramido do mar, no choro das cataratas,
no silêncio dos lagos, a água grita por socorro!
Vamos nos unir! Irradiar essa harmonia! 
Transformar com nossa ação!
Carinhar com nossa emoção!
O Amor é um rio caudaloso que a tudo vai envolver!

Reunião dos Clãs e Ritual de Cura das Águas
com todos os Cruz, Dédalos e Aguilar.
Local: Curitiba - Campus da Unilivre.
Data e hora: sexta-feira 
10/12/10,
 às 15h.
Mais informações: cristiano.aguilar@yahoo.com.br

Imagens do Campus da Unilivre
(click para aumentar)



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ser uma flauta para Sua música...

Krishna, o Deus do amor, representa o ideal de Amor divino. 
Esse Amor se manifesta através do ser humano, entrando e preenchendo todo o seu Ser... 
Krishna comumente é representado segurando uma flauta nas mãos, usando uma coroa dourada adornada com uma pena de pavão. A flauta é o coração humano e um coração que se esvazia se torna uma flauta na qual o Amor pode tocar sua música. Quando o coração não está vazio, não há espaço para o amor.
Rumi, o grande poeta da Pérsia, diz que o coração de um ser humano é uma cana de junco, e as experiências que passamos na vida fazem da cana uma flauta, que pode então ser usada por Deus como um instrumento para tocar a música que ele constantemente deseja produzir... Mas da mesma forma que nem toda cana é uma flauta, nem todo coração é Seu instrumento. Como a cana pode ser feita flauta, assim pode o coração humano transformar-se num instrumento e ser oferecido ao Amor divino. É o coração humano que pode ser transformado na harpa dos anjos. Foi nos moldes do coração humano que o primeiro instrumento musical foi feito e nenhum instrumento terreno pode produzir aquela música a qual o coração produz, elevando a alma mortal para a imortalidade.

sábado, 6 de novembro de 2010

La Marioneta de Trapo



Se por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas certamente pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormissem. Escutaria enquanto os outros falassem e como desfrutaria um bom sorvete de chocolate.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, me vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.
Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua. Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.
Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida. Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas – te amo, que as amo. Convenceria cada mulher de que ela é minha preferida  e viveria enamorado do amor.
Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar. A um menino, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinho.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens…
Aprendi que todo mundo quer viver no sume da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com seu pequeno punho pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me guardem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo.

Johnny Welch, artista ventríloquo mexicano.
Puppet in the paint box - Franz Kline (1940)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Agradecido

Que distintas seriam nossas atitudes e nossas ações se lembrássemos a cada instante que somos seres extraordinários com uma experiencia corporal transitória que jamais volta a repetir-se..... e que portanto o fato de estarmos vivos e termos poder para atuar é uma oportunidade que de tão maravilhosa merece ser honrada e agradecida em cada segundo com cada uma das coisas que conformam nosso viver....porque a morte ao fim e ao cabo está sempre espreitando-nos..., sussurrando ao ouvido, vigiando e ......que poderá pensar a muerte de nossa pálida indiferença!!!

Lucidor Flores


*Postado originalmente no Blog Ayllu Mística Andina, em 17 de janeiro de 2007.